
Lavando Louça com Sócrates
Lavando Louça com Sócrates é um podcast que, desde 2021, cruza filosofia e literatura para refletir sobre a existência e seus absurdos cotidianos. Conduzido por Yuri Sócrates, filósofo, historiador e professor, o programa propõe um pensamento em estado bruto, sem promessas de sentido. Entre pratos, copos e crises existenciais, ele convida a mergulhos profundos nos dramas e nas banalidades da vida.
Episódios

"Tempo livre", por Theodor Adorno
Você sabe ser livre durante o seu tempo livre? Ou será que o seu tempo livre está condicionado diretamente pelo seu trabalho e outras funções sociais que desempenha? Esta é uma das questões abordadas pelo filósofo Theodor Adorno, da Escola de Frankfurt, no ensaio "Tempo livre", de 1969. Aprecie a leitura e reflita sobre esse tema, ainda mais premente nos dias de hoje do que na década de

Anestesiados
O livro que você amava parece não encantar tanto. A música que inspirava parece não surtir mais efeito. As séries que assistia parecem ser arrastadas demais. E você não está necessariamente triste, muito menos feliz. Você está anestesiado por um excesso de informações que entorpecem e afastam do silêncio, do tédio e do vazio essencial. Como sentir algo em um mundo devorado pelo consumo e pelo entr

"O artista e seu tempo", por Albert Camus
Hoje trago para vocês a leitura de um discurso intenso de Albert Camus, proferido em 1957, na ocasião da cerimônia do Prêmio Nobel de literatura. Intitulada "O artista e seu tempo", a fala do filosófo reflete criticamente o papel do artista e da arte em um mundo fraturado por disputas, conflitos e opressões. Aproveitem o momento e mergulhem em mais uma belíssima passagem do pensador absu

Penumbras
Quanto você mostra de quem você é no seu cotidiano? Quanto você conhece do outro? No mundo do panóptico digital, em que todos nos observamos mutuamente, há pouco espaço para a sombra e para a penumbra. Mas o que seria da vida sem estes espaços de recesso, de silêncio e de introspecção? Para o escritor Junichiro Tanizaki a sombra é o espaço do erótico, do desejo e da curiosidade, mas em um mundo to

"Pense na lagosta", por David Foster Wallace
O que o hábito alimentar pode revelar sobre a moralidade de uma pessoa ou de um povo? Como nós, humanos, conseguimos suspender tão habilmente nossos juízos e desconfortos em favor do prazer, do divertimento e, inclusive, do paladar? Essas são algumas das provocações levantadas pelo escritor David Foster Wallace em seus ensaio "Pense na lagosta", em que registra e problematiza suas impres

O futuro deste podcast
Tudo muda. O mundo mudou. Eu mudei. O podcast também. Espero que pra melhor. A jornada do "Lavando Louça com Sócrates" começou há cinco anos e não tem prazo para terminar, ainda que tudo no universo acabe um dia. Mas chegou a hora de trazer mudanças para este espaço que carrega tanto de quem sou. O objetivo, na realidade, é que este programa tenha ainda mais da minha pessoalidade, crises

Da caverna de Platão às cavernas de aço
A comunicação digital nos aprisiona mais do que liberda. As mídias modernas, apesar de suas infinitas possibilidades, limitam nossos conhecimentos e visões de mundo mais do que ampliam. Em outras palavras, da antiguidade clássica aos dias de hoje, nossas tecnologias mudaram e, com elas, modernizamos nossas cavernas: de antigas cavernas de pedras, passamos a habitar as cavernas de aço. Algo, porém,

O ruído constante e a erosão do ser
Vivemos em uma era de excessos: sons, lugares, objetos, informações e muito mais. Tudo isso gera um ruído constante que abafa o pensamento e anestesia o sujeito. Alimentados apenas por impulsos emocionais e fugazes, dedicamo-nos cada vez menos ao silêncio e à introspeção. O ser é erodido em nome do ter e, principalmente, do parecer. Neste “Enxame”, como define Byung-Chul Han, perdemo-nos a nós mes

A personalidade autoritária, parte II
O autoritarismo não tem um endereço fixo, até porque não se limita a um ou outro indivíduo. O autoritarismo dialogo, a todo instante, com a subjetividade humana e, principalmente, com a dificuldade que tantas pessoas possuem de se voltar a si mesmas contemplativamente, de compreender as origens e as consequências de seus pensamentos e comportamentos. Pois bem, venha comigo e com Adorno para a segu

A personalidade autoritária, parte I
Em 1950 o filósofo Theodor Adorno publicou a obra "A personalidade autoritária", em que refletia, à luz de filosofia, sociologia e psicologia, os traços e comportamentos característicos de líderes autoritários e, principalmente, de seus apoiadores. O fenômeno do autoritarismo, para Adorno, não se limita a uma sociedade ou a aum período histórico, mas se desenvolve em espaços e momentos variados. N

IAs não produzem arte
O ser humano conhece a si mesmo quando está em contato com o outro. É do outro que chega o "não", que chega o conselho, que chega o desconforto. É o outro, em sua alteridade, que desperta o interesse, a curiosidade e o desejo. As artes, historicamente, são marcadas pela alteridade: trazem discussões, críticas, reflexões que instigam (e até machucam) seus leitores e/ou apreciadores. Mas e as IAs? A

A vida não é um projeto
Qual a sua relação com a palavra “desistir”? Vivemos em uma época em que desistir soa como falha moral. Uma sociedade do desempenho, onde tudo precisa virar projeto, meta e entrega. inclusive a própria vida. Neste episódio eu te convido a pensar comigo: e se o problema não for desistir, mas insistir demais em um projeto de felicidade que nos esgota? Entre o cansaço de existir, o peso do olhar do o

A vida precisa de pausas
É comum vivermos de função em função, de reunião em reunião, de tarefa em tarefa, de semáforo em semáforo. E nesta pressa, nesta fluidez do mundo moderno, estrangulamos aqueles pequenos rituais que dão estabilidade à vida e às nossas identidades. A vida moderna, segundo Byung Chul Han, é uma vida sem entremeios, sem pausas, sem silêncio e sem introspecção. Por isso, passe um café, coloque os fones

Medo da morte, medo da vida
No episódio de hoje mergulhamos em uma reflexão filosófica que atravessa séculos: a eterna discussão entre viver com qualidade ou simplesmente acumular tempo de vida. Neste diálogo, confrontamos a pergunta: do que você tem mais medo? De morrer ou de viver como se estivesse morto? Venha explorar comigo as ideias de Michel Foucault sobre a docilização dos corpos (e como esta prática pode nos levar a

Existencialismo, parte V: um baile de máscaras
Foi uma longa jornada: da razão kantiana à revolta camusiana. Da crença no progresso à erosão do sentido e ao anúncio de uma liberdade radical. Em nosso cotidiano seguimos fazendo os gestos da existência: somos funções, carreiras, amigos, filhos e muitos outros personagens. Mas quem somos nós? Quem somos, além de nossos nomes, sobrenomes ou currículos? Há algum momento em que nos autorizamos a uma

Existencialismo, parte IV: filosofia dos limites
O que significa ser livre? A liberdade tem limites? Se sim, de onde surgem os limites? São exteriores ou interiores à pessoa? Constatar que "a existência precede a essência" é um passo para a liberdade, mas quais os custos reais de ser livre? A filosofia existencialista culmina em uma filosofia dos limites: reconhecer a própria liberdade é entender as consequências das próprias escolhas e ser capa

Existencialismo, parte III: a existência precede a essência
O copo que você está usando tem um propósito: ele deve levar líquidos até você. E se você utilizá-lo como arma, como peso de papel ou como vaso, ele seguirá tendo um propósito pré-determinado. Mas e você? Qual o seu propósito? Você possui uma essência ou você simplesmente existe, sem um sentido objetivo? Para Jean Paul Sartre, “a existência precede a essência”. Venha comigo para a terceira parte d

Existencialismo, parte II: e se a vida não tiver sentido?
A pergunta não é “qual o sentido da vida?”, mas “e se a vida não tiver um sentido?” Diante desta pergunta existe uma certeza: a angústia. Este desconforto que habita cada um de nós e que parece nunca silenciar. Neste episódio, a segunda parte da série Existencialismo, exploro as relações de Søren Kierkegaard e de Friedrich Nietzsche com o sentimento de angústia e, principalmente, seus desdobrament

Existencialismo, parte I: a crise da razão kantiana
O Existencialismo questiona não apenas qual é o sentido da vida, mas, principalmente, se a vida de fato tem um sentido. E a partir desta questão incorremos em outra: e se não tiver sentido, por que seguimos? Nesta série de cinco episódios exploraremos a trajetória do Existencialismo: de seus nascimento, através do questionamento sobre a racionalidade humana, até a sua explosão entre os séculos 19

IAs e a ilusão de empoderamento
Não. O ser humano não pensa tão rapidamente quanto acredita pensar. O pensamento demora e leva horas, dias, semanas ou mais tempo. E isso se deve ao fato de que não vivemos apenas pensando, mas experienciando o mundo. E é através da soma entre pensamento e experiência que efetivamente criamos uma obra, seja ela escrita, visual ou sonora. Mas em uma era de banalização da informação e da explosão da

Todo amor é platônico
Segundo o mito dos andróginos, os seres humanos estão fadados a vagarem pelo mundo procurando por algo ou alguém que lhe falta. Isto, para Platão, é o amor: uma ausência, um vazio que tentamos preencher. Mas será que esta ausência é algo necessariamente ruim? Ou será que é justamente desta ausência que precisamos para entendermos o que é a vida? Bora, que hoje o teu coraçãozinho de pedra vai senti

Quais os limites éticos das IAs?
Se eu posso, será que eu devo? Esta é uma das principais perguntas do campo conhecido por "filosofia ética", em que investigamos os alcances e limites das nossas ações, bem como suas repercussões. As inteligências artificiais entraram para este debate recentemente, uma vez que afetam diretamente inúmeros campos humanos, como as produções artísticas e de conhecimento, a temporalidade e, principalme

Quem foi Sócrates?
Todo mundo já ouviu falar da famosa frase “só sei que nada sei”, mas o que ela significa? Além disso, como Sócrates desenvolveu esta linha de raciocínio que levou ao nascimento do que chamamos de filosofia antropológica? Amado por seus discípulos e odiado por muitos cidadãos atenienses, Sócrates entrou para a história da filosofia como um pensador crítico, questionador e erótico, o que, logicament

5 romances filosóficos que destruirão algo em você
Sempre falo que a melhor leitura é aquela que desconforta e que abala algo em nós. E se você acompanha este podcast, imagino que goste daquela dor no peito que vem ao ler uma passagem reflexiva de algum livro, capaz de te fazer repensar a própria vida e suas escolhas. Pois bem, aqui vão cinco obras que destruíram muitas falsas certezas em mim e que espero que tragam, a todos vocês, muitas dores ex

O mito de Sísifo
O que é o absurdo? O que é a angústia de perceber que nunca conhecerá definitivamente o mundo ao seu redor ou a si mesmo? Como viver com esta angústia existencial, sem negá-la, sem fugir dela e de suas consequências?Enfim, meus caros ouvintes, um episódio centrado especificamente na obra “O mito de Sísifo”, de Albert Camus. Vivam absurdamente.

Não leve a vida tão a sério
O papo de hoje é só entre titãs: Milan Kundera, Ludwig Wittgenstein, Johan Huizinga e (claro) Albert Camus. Por que? O que tem em comum entre todos estes nomes? Todos trabalharam com carinho o tema do humor e a forma como a ironia, a piada e o absurdo fazem parte do nosso cotidiano. É através do humor que aprendemos a viver. E é através do humor, também, que aprendemos a resistir ao peso da existê

Por que questionamos a vida?
O absurdo pode confrontar qualquer um, em qualquer momento. É a marca humana: perceber a existência e se perguntar sobre ela. Buscar um sentido, um significado objetivo que justifique tudo o que já aconteceu. Mas não importa o quando buscamos este sentido, há sempre um silêncio após a resposta provisória. Há sempre um absurdo. Há sempre uma cisão entre o ser humano e o universo que o rodeia. Como

Sobre se sentir sozinho em meio a muitas pessoas
O tédio é o momento em que o indivíduo retorna a si, sendo capaz de conversar consigo mesmo e de fazer juízo do mundo ao seu redor. Mas o que acontece quando vivemos rodeados por distrações, sons e entretenimentos? O que acontece quando nos privamos de pensar sobre o mundo que nos cerca? Recaímos na objetificação do mundo e nos iludimos com o pensamento tentador de que somos os protagonistas da ex

Nietzsche e o eterno retorno
Como você se sentiria se fosse condenado a reviver a sua vida repetidas vezes, com os problemas e as alegrias, com os medos e os sorrisos? Você aceitaria ter que viver novamente tudo o que já viveu? Ou você veria esta condenação como uma horrível punição? Esta pergunta, elaborada por Friedrich Nietzsche no século XIX, representa o malabarismo humano do cotidiano, que vagueia entre duas possibilida

A importância de ritualizar a vida
Tem muito pouco na vida que importa. Mas é este pouco que pode trazer algum significado a todo o resto. E sempre que constatamos a brevidade da existência, imediatamente buscamos algum local, alguma pessoa, algum hábito que nos traz segurança. Estes laços que se repetem maquinalmente podem, sim, trazer desconfortos, porém a vida sem estas dores seria mais vazia do que uma trajetória esgotada pela

Graça Infinita
Você consegue imaginar um entretenimento tão perfeito que as pessoas morreriam diante dele, ou cena tão instigante que você trocaria tudo e abdicaria até de quem você é para vê-la? Vivemos todos os dias a Graça Infinita, de uma tal forma que não mais imaginamos nossas vidas sem este colo maternal, porém, enquanto assistimos nos degradamos e nos isolamos. Venha comigo e com David Foster Wallace par

Angústia: o mais valioso dos sentimentos
“Diante de um precipício, o que mais assusta a pessoa não é a possibilidade de cair.” Esta é uma das descrições mais precisas de um sentimento comum a todos nós: a angústia. Aquele aperto no peito, aquela insegurança diante do imenso leque de possibilidades, aquela dor em pensar no “e se” que a memória revive. Hoje a nossa viagem é com o filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard, com um foco especial

Filosofar é perceber o óbvio
Para que serve a filosofia? “Para NADA”, muitos diriam. “Para aprendermos sobre o passado”, diriam outros. “Para aprendermos sobre ética e moral”, também dizem por aí. Todas estas respostas estão erradas, pois a Filosofia satisfaz a uma sensação muito mais simples (e menos nobre) do que o melhoramento do mundo ou a lapidação da vaidade humana através do acúmulo de informações. No episódio de hoje

Relaxe, algumas obras ficarão inacabadas
Eu aposto que você já se sentiu insuficiente, exausto, perfeccionista e até esmagado pelo sentimento e pelas crenças populares de que “você é especial”, “você é capaz de tudo”, “você é incrível” e muito mais. Pois bem, como aqui não é um espaço de coach quântico, mas de filosofia, venha comigo para uma viagem contrária ao discurso comum. Venha comigo aprender que, sim, ao longo da vida muitas pont

Como o "American Way of Life" te entristece
O que é "felicidade"? Bens, dinheiro, ostentação, poder? Ou será que a definição é muito mais simples do que a materialidade do nosso mundo sugere? Ao longo do século XX, com o avanço do "American Way of Life", a humanidade naturalizou e enalteceu o consumo e a ostentação de bens como o principal caminho para o sentimento de felicidade, com consequências profundas sobre a psiquê, as relações human

Uma carta de amor ao tédio e um tapa na cara do espetáculo
Eu amo o tédio. Amo aqueles momentos em que, aparentemente, não temos nada para fazer e posso, assim, voltar-me a mim, aos meus pensamentos, aos meus sentimentos. No tédio é que posso, enfim, conhecer um pouco mais sobre quem sou e o mundo ao meu redor. A sociedade atual, porém, atua na contramão do tédio: são informações, sons e imagens incessantes, com uma verdadeira demonização do ócio e do téd

Viver nunca é fácil: o sofrimento segundo Schopenhauer e Freud
"Viver, naturalmente, nunca é fácil. Continuamos fazendo os gestos que a existência impõe por muitos motivos, o primeiro dos quais é o costume." Hoje analisamos criticamente a conflituosa relação entre a pessoa e o meio, o ator e seu cenário, buscando compreender de que forma encaramos, consciente ou inconscientemente, os diversos sofrimentos, medos e angústias da vida. Venha colocar as louças em

Narcisismo e redes sociais
O maior motor das redes sociais é o narcisismo, influenciado pela busca constante por atenção, likes e compartilhamentos. Este mecanismo, entretanto, não nasceu hoje, mas se aprimorou com o avanço dos smartphones e a popularização da internet. A partir daí levantamos algumas perguntas principais: quais os limites do narcisismo das redes sociais? De que forma abdicamos da própria identidade em favo

A arte não é uma opção, mas o único caminho
Arte e filosofia caminham juntas e não haveria de ser diferente. Ambas existem no mesmo vão, no mesmo limiar da vida: o campo da incerteza, da dúvida, da dor e da angústia. A arte comunica sem comunicar, assim como a filosofia responde sem responder. A arte não é uma opção, mas o único caminho possível para uma vida bem vivida, para uma vida sem garantias de um amanhã ou de um além. Venham comigo,

Saber viver na dúvida e não precisar de certezas
Quanto mais episódios você ouve, quanto mais livros você lê, quanto mais você conhece, menos você sabe. Parece que quanto mais nadamos, mais distantes nos sentimos de qualquer praia. Será que há uma praia? Será que há um porto seguro? Ou será que a nossa principal constante é, justa e paradoxalmente, a incerteza? Diante da dúvida é que buscamos conhecer, mas é por conta do desconforto frente às in

Aprender a morrer é tão importante quanto a aprender a viver
São manuais, regras e padrões, a todo instante, instigando o que devemos fazer para sermos bem sucedidos e bem reconhecidos. São caminhos, métodos e dicas sobre como viver, mas pouco se fala sobre saber respeitar o fim, seja da vida, da experiência ou de um momento específico. O quanto não deixamos de realmente degustar da existência pelo fato de termos o amanhã e o depois de amanhã como certos? V

A nauseante liberdade de uma vida sem sentido
Todos passamos por momentos em que os dias parecem se repetir. Cópias dos dias anteriores. Porém, ainda assim, percebemos gradativamente que algo muda. Olhamos para pessoas, lugares e objetos que nos eram familiares e que parecem ter mudado. Ou será que a mudança está em nós? Esta é a questão central sobre a qual divagamos hoje: a existência precede a essência. Arregace as mangas e venha lavar lou

Você sabe ficar em silêncio?
Ficar em silêncio não é apenas se calar, mas também desafogar os sentidos a fim de realmente ouvir, ver e tocar. A contemplação e o manuseio são fundamentais para que eros - o desejo e a curiosidade - sejam alimentados. Porém, em uma sociedade barulhenta, sonora e visualmente, desaprendemos o silêncio em prol do incessante entretenimento e do vício em produtividade. Sem o silêncio o indivíduo se t

A morte do atemporal na era dos 'trending topics'
Na sociedade do excesso de produtos e informações, tudo pode ser banalizado, inclusive as pessoas e as relações. Diante da suposta necessidade de ter sempre uma opinião pronta sobre tudo ou de participar de toda e qualquer tendência virtual: qual é o espaço dado ao atemporal, àquilo que subsiste ao tempo, àquilo que se solidifica na reflexão e na dúvida? O atemporal é representado pelos dramas amo

A solidão deve ser contemplada
O que o vincula a outro ser humano? O sofrimento e a solidão. Ambos sofrem. Ambos já se sentiram e se sentirão sozinhos. Porém, pergunto a vocês: o quão importante é o sentimento de solidão para a totalidade da vida de uma pessoa? A solidão, o silêncio e a percepção da própria existência (somada à constatação da aparente falta de sentido da vida) libertam a pessoa da ânsia do entretenimento e da h

A denúncia do anti-intelectualismo na literatura: 1984, Admirável Mundo Novo & Fahrenheit 451
O que há em comum entre as obras 1984, Admirável Mundo Novo e Fahrenheit 451? Dentre outros aspectos, as três denunciam com veemência práticas anti-intelectuais e de desvalorização cultural, ao passo que criticam os maus usos do consumo superficial de informações e suas consequências: alienação, obediência cega a líderes, desenvolvimento da agressividade, busca do prazer através do consumo. As prá

A arte é um ato de revolta
Viver é um ato de revolta, dizia Albert Camus. E a arte é o caminho de revolta que subsiste ao movimento destrutivo da história. Para muitos autores, pintores e músicos o sentimento atribuído à arte é vital, de tal forma que produzir artisticamente nunca foi uma opção, mas a maneira pela qual puderam resistir às dores do mundo e dos séculos.

Contemple a sua melancolia
Hoje eu, Bauman, Han e Adorno perguntamos a você: sabe quando você tem aquele olhar distante pela janela, desejando o silêncio, revivendo em sua cabeça certos momentos e relações? Sabe quando você ama visceralmente? Sabe quando você se vincula na totalidade com algo, alguém ou algum lugar, sem esperar que este algo, alguém ou lugar satisfaça às suas vaidades? Então, se você sabe o que é isso, poss

Você é livre ou vive do desejo de liberdade?
As pessoas não querem ser livres. Elas querem ser salvas. E em nome da segurança de não se responsabilizar pelas próprias escolhas e pela própria existência, abdicam da liberdade, consumindo "liberdades" voláteis, superficiais. Para o sujeito não-livre, o maior alimento é a ilusão da liberdade, servida através do desejo de ser livre.

O que acontece quando "Deus está morto"?
"Deus está morto. Deus continua morto. E nós o matamos", escreveu Friedrich Nietzsche. O que acontece quando o homem derruba a figura divina e toma o seu lugar? Quais as responsabilidades advindas de tamanho poder? Afinal, se nada é verdadeiro, tudo é permitido? Esta indagação marca um dos pilares de discussão do existencialismo desde finais do século XIX até os nossos dias: tornar-se deus é ser u

Ninguém está imune a praticar o mal
Você acredita que o mundo é dividido entre o bem e o mal? Você acredita que há pessoas inclinadas ao mal e que estas devem ser combatidas por aquelas que são naturalmente boas? Qual o papel do senso crítico diante da maldade? O que é ser conivente com o mal? O nazismo foi praticado por Hitler, apenas, ou também por seus apoiadores? Todos que apoiaram o nazismo eram pessoas exclusivamente ruins? E,

A vida e a negação da morte
Por que você levantou hoje da cama, passou o seu café e fez tudo o que fez? Por que você tá lavando a louça nesse momento? Por que você tá ouvindo novamente esse podcast, sendo que tudo vai acabar um dia? Eu respondo: pois viver é, por si só, um ato de constante rebeldia, discutida pelo antropólogo americano Ernest Becker como uma incessante "negação da morte". Dito isso, querido ouvinte, aperta o

A angústia da positividade tóxica
"O excesso de positividade também é uma forma de violência". Somos todos afetados pela forma como a nossa sociedade é viciada pela postura "good vibes", pela ansiedade por produtividade e pela escravidão à vida instagramável. No episódio de hoje eu te convido pra bater um papo comigo e com Han sobre o quão problemático o excesso de positividade e de facilidades pode ser às pessoas. Mergulhemos jun

É no medo, no fracasso e no desespero que nos conhecemos: o existencialismo de Emil Cioran
Por quê tememos tanto o fracasso e o desespero? Por quê tememos tanto a monotonia e o ócio? Estas sensações e momentos são comuns a todos os seres e responsáveis por construir quem somos. O otimismo, o conceito social de sucesso e a crença em um padrão de felicidade são, para Emil Cioran, destrutíveis à vitalidade da vida, pois é justamente na dor, na tristeza e na frustração que nos conhecemos e

A filosofia de "The Last of Us"
Existe um certo e um errado objetivos? Ou será que, invariavelmente, julgamos o mundo ao nosso redor com base em nossas subjetividades? Ellie e Abby, de "The Last of Us", sentiram em suas peles este embate entre objetivo e subjetivo. Vem comigo esmiuçar este título de videogame e toda a pesada e crua filosofia que carrega em sua narrativa.

Diógenes, o cão: a vida conduzida pela simplicidade
Cachorros sabem viver bem, enquanto nós, humanos, não. Venha devanear com o Sócrates sobre o Cinismo grego de Diógenes e a forma como o desapego às normas e às posses pode aproximar a pessoa de uma vida bem vivida.

O Epicurismo e a felicidade em meio à crise
A finalidade de toda ação humana é a felicidade, já diziam os gregos. Mas o que é felicidade? Quais as suas necessidades frente à felicidade? Quais as suas falsas felicidades? Aperta o play e vem buscar a Ataraxia com o Sócrates!

O assassinato nunca é legítimo
Dos tempos de Sócrates aos incontáveis extermínios humanos do século XX, o assassinato esteve sempre presente na história da humanidade, mas será que esta prática pode ser considerada legítima em alguma instância? Vem comigo hoje pra um bate-papo sobre como Sócrates, Hobbes, Foucault, Kant e Camus entendem este assunto.

Você está segurando o chicote que o violenta, sabia disso?
De uma sociedade disciplinar, descrita por Michel Foucault, ingressamos em uma sociedade da produtividade e da positividade, em alusão a Byung Chul Han. E neste meio, é muito fácil se tornar o próprio capataz, chicoteando a si mesmo, e nem perceber. Embarca comigo na crise existencial de hoje!

A vida bem vivida: parte IV
Aquele pequeno percentual de inimaginável.A parte final da nossa série "A vida bem vivida" não podia deixar de conter um elogio, um agradecimento e uma apreciação ao escritor Milan Kundera e sua célebre obra “A insustentável leveza do ser”.

A vida bem vivida: parte III
O Clube da Luta e a tênue linha entre liberdade e escravidão.

A vida bem vivida: parte II
Albert Camus, a revolta e a vida na totalidade.

A vida bem vivida: parte I
Quem sou eu, o que fiz e porque fiz!

Filosofia estética, pt. 4: Escola de Frankfurt
Por último, mas nunca menos importante: vamos falar sobre Escola de Frankfurt!

Filosofia estética, pt. 3: Schopenhauer & Nietzsche
É muita dupla importante dentro dessa filosofia estética, hein?! Vamos bater um papo sobre Schopenhauer e Nietzsche.

Filosofia estética, pt. 2: Kant & Hegel
Ainda sobre filosofia estética, vamos conversar um pouco sobre Kant e Hegel?

Filosofia estética, pt. 1: Platão & Aristóteles
Hora de falar sobre filosofia estética. Para começar, a grande dupla: Platão e Aristóteles.

Não existe filosofia sem ócio
Demonizado por tantos, amado por poucos: o ócio. Ficar de boas, fazendo nada. Pensando na vida, cultivando-se. Sem ócio, sem tempo livre, não há filosofia. E saiba você que o ato de colocar os fones de ouvido e lavar as louças viajando filosoficamente também é ócio! E é em momentos assim que você e eu sentimos a vida e a repensamos! Vem comigo curtir um ócio, vem!

Platão já sofreu por amor
Quem diria, não? O amor, descrito nas mais diversas sociedades e ao longo de toda a história, foi alvo de muitas discussões da filosofia antiga. Se até Platão já sofreu por amor, você também tá autorizado a esta dor. Então pega o fone, uma caixinha de lenços e vem lavar louça comigo, pensando no crush e se derretendo de chorar.

Do saber mitológico à filosofia socrática
A mitologia faz parte da humanidade, que sempre busca responder alegoricamente diante dos fenômenos da natureza e também das dúvidas existenciais. A filosofia bebeu dos mitos, cresceu sobre os mitos lá na Grécia Antiga, desenvolvendo-se como outro caminho para o entendimento humano. Chega junto, comigo e com meu brother Diego, pra devanearmos sobre o saber mitológico!

A treta entre racionalistas e empiristas na era moderna
Racionalistas e empiristas tretaram muito na Era Moderna, buscando sempre a melhor forma de se aproximar da verdade sobre os fatos. Vem saber mais sobre Descartes, Bacon, Locke, dentre outros!

Nietszche e sua "filosofia do martelo" no século XIX
Nietzsche nos ensina a "filosofar com o martelo", a derrubar as certezas e os pilares culturais. Em sua filosofia ácida, Nietzsche criticou muito do mundo do século XIX e de toda a filosofia iluminista e kantiana que imperava na sociedade industrial. Vem comigo entender um pouco mais do desconforto existencial de um dos maiores filósofos da nossa história!











